A gestão de risco sempre foi um dos maiores desafios do agronegócio. Em um setor exposto a eventos climáticos, oscilações de mercado, pragas, doenças e variáveis que muitas vezes fogem ao controle do produtor, a previsibilidade tornou-se um ativo tão importante quanto a produtividade.
Nesse contexto, as mudanças propostas para o marco legal do seguro rural representam um dos debates mais relevantes para o futuro do agronegócio brasileiro.
O objetivo da proposta é fortalecer um instrumento que, apesar de sua importância, ainda possui baixa penetração quando comparado a grandes potências agrícolas. O seguro rural deixa de ser visto apenas como uma proteção eventual e passa a ser tratado como parte estruturante da política agrícola nacional.
Entre as principais mudanças está o fortalecimento da subvenção ao prêmio do seguro rural, mecanismo pelo qual o governo auxilia o produtor no pagamento da apólice. O projeto também busca criar condições para ampliar a previsibilidade dos recursos destinados ao setor, reduzindo uma das principais dificuldades enfrentadas nos últimos anos.
Outro ponto importante é a maior integração entre seguro rural e crédito agrícola. A proposta prevê incentivos para produtores que utilizem seguro, incluindo prioridade em determinadas operações de crédito e melhores condições de financiamento.
Além disso, o debate envolve o fortalecimento do chamado Fundo de Catástrofe, mecanismo pensado para ampliar a capacidade de resposta do sistema diante de eventos extremos de grande impacto.
O agronegócio brasileiro opera em um ambiente cada vez mais exposto à variabilidade climática.
Secas, enchentes, ondas de calor e eventos extremos passaram a fazer parte da realidade de diversas regiões produtoras. Ao mesmo tempo, os custos de produção continuam elevados e as margens exigem decisões cada vez mais precisas.
Nesse cenário, depender exclusivamente de renegociações emergenciais ou medidas pontuais após uma perda torna-se uma estratégia cada vez mais frágil.
Um sistema de seguro rural mais robusto cria condições para que produtores, cooperativas, instituições financeiras e toda a cadeia tenham maior previsibilidade para planejar investimentos, financiar operações e sustentar crescimento de longo prazo.
Apesar da relevância do tema, o seguro rural ainda possui espaço para crescer no Brasil.
Historicamente, parte do setor concentrou seus esforços na mitigação operacional dos riscos, enquanto a gestão financeira dos impactos climáticos recebeu menor atenção.
O novo marco reforça uma tendência observada nos principais mercados agrícolas do mundo: a proteção da produção precisa fazer parte da visão de gestão, não apenas da resposta à crise.
As mudanças ainda dependem da conclusão da tramitação legislativa, mas já sinalizam uma direção importante para o setor. O fortalecimento do seguro rural tende a ampliar a estabilidade do ambiente de negócios, melhorar a relação entre crédito e proteção produtiva e criar condições para uma gestão de risco mais eficiente.
Em um agronegócio cada vez mais profissionalizado, produtividade continuará sendo fundamental. Mas a capacidade de proteger resultados diante das incertezas será um diferencial igualmente importante.
O futuro do agro não depende apenas de produzir mais. Depende também de construir mecanismos que permitam produzir com mais segurança, previsibilidade e sustentabilidade.
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Fontes:
- Ministério da Agricultura e Pecuária
- Banco Central do Brasil